Bom, pelo menos até alguns anos depois, encontrarem uma adolescente sem vida embebida em sangue com um buraco no ventre não muito longe de onde foi encontrado o primeiro cão.
Aos perdidos no deserto.
Olá prezado navegante, o que o fez cair aqui neste ambiente árido e sem vida (quase nenhuma)? Este lugar não é pra você. Não estou querendo expulsá-lo, porém! Fique à vontade.
Deixe-me contar - já que está por aqui - o motivo da criação deste ponto no meio do nada de um mar de IPs e máscaras de sub-rede. Mas antes, acho que posso mencionar que este blog já teve alguns nomes: fl4v10, tremdeler, poráguabaixo e outros de que eu não me lembro. Porém acho o atual nome mais adequado já que não possuo seguidores e apenas eventualmente recebo a visita de algum incauto redirecionado por motivo que foge a minha compreensão. Entrou em uma trilha e se perdeu?
Volto à razão da criação do blog, se o senhor ou senhora ainda estiver aí, que reverbera vazios verbos - e artigos, e adjetivos, etc - ao vento arenoso dos bytes. Certamente, se o ilustre visitante escreve e se goza de relativa autocrítica e cuja vaidade não interfere excessiva, deve já ter jogado fora alguns de seus escritos. O problema disto é que se perde alguma coisa boa dentre as tantas coisas ruins. Perde-se também um pouco da própria história literária (ainda que questionável ou incipiente). Como vamos perceber que evoluímos se separamos só um pequeno texto que ficou bom? Neste sentido criei um depósito de meus escritos. Confesso que a intenção era também me forçar a escrever já que poderia - algo que não se concretizou - ter eco em algum leitor que seguisse este espaço.
Assim, sem mais, o espaço existe. E existe só para mim (na maioria do tempo). Caso queira sinalizar na areia um traço de presença humana, fique a vontade para deixar um recado após o sinal!! E obrigado pela visita!
BEEP.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
O matador de cães
Bom, pelo menos até alguns anos depois, encontrarem uma adolescente sem vida embebida em sangue com um buraco no ventre não muito longe de onde foi encontrado o primeiro cão.
segunda-feira, 28 de março de 2016
Azul - Prólogo
sábado, 5 de janeiro de 2013
Ele
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Conto de Primavera.
Um vento refrescante a acordou e agora o pequeno pássaro amarelo, parecido com o que havia visto na janela, dava pulinhos no chão do quarto. Precisava de um banho, precisava comer, precisava de energia, precisava acordar. Só ouvia os sons da natureza e a paz que ela trazia. Saudade do barulho, das pessoas, dos pais, do abraço de seu namorado. Chorou e depois de algum tempo desistiu de chorar. Algo mais estava errado. Porque não voltavam com a bandeja? Porque não voltavam com a violência e com a invasão de seu corpo, de sua alma, de sua dignidade? Já se passavam dias. Dias em que teve medo, revolta, repulsa, esperança, dor, ódio, pavor, nojo, fé e por fim resignação e desistência.
Preferia as discussões, os berros e o stress. Desde que a abduziram da porta de casa, encapuzados e violentos aos gritos até o momento em que deixou o desconfortável porta-malas para vislumbrar a casa antiga no campo com seu jardim mal cuidado e rodeada por árvores, jamais havia ficado sozinha. Levavam bandejas com frutas, biscoitos e as vezes comida de micro-ondas. Levavam-a ao banheiro quando desejava. No principio se divertiam dando banho nela e depois – por perceberem que dava muito trabalho – deixavam-a tomar banho sozinha tomando cuidado de deixar a porta aberta. Havia também o abuso e a violência. Mas agora tudo havia cessado. Absolutamente tudo. Estava exausta, fraca e suja. Havia excreções e fedor impregnados em seu corpo. Não comia há dias. Poderiam eles terem sido presos. Poderiam ter sofrido um acidente enquanto saiam a noite para se divertir, confiantes de quem ninguém encontraria o cativeiro. Poderiam ter morrido em um tiroteio com a polícia ou fugido. Não sabia, só sabia que não havia ninguém. Não havia forças. Não havia nada. A não ser um lindo dia de primavera e um pássaro amarelo esperando para comer seus olhos.
sábado, 14 de julho de 2012
Entrevista
Quando saí daquela sala que devia cheirar à enxofre mas na verdade tinha um agradável perfume tão sutil que ainda não consigo identificar estava mais perdido do que quando entrei pois fui recusado pelo inferno e não há nada que me atraia no reino dos céus.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
A mãe de Lucas
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Juca e o ventilador
A hélice girava lentamente e a menina Juca distraia-se olhando seu movimento cadenciado. Estava quase parando. Ela estava grogue como quando acabamos de acordar após uma noite de excessos. Sua mente parecia girar azul como a hélice do velho ventilador. Era novinho, mas suas grades pareciam estar estranhamente enferrujadas. Meu ventilador, pensou. E uma voz soou em sua mente, sim. Olhou para o lado e só então percebeu ter falado em voz alta. A voz era de um moço sorridente que a olhava com ternura, tinha a barba negra e o rosto estranhamente familiar, apesar de não conhece-lo. Se deu conta de que não estava sozinha. Além do moço havia um senhor de cabelos brancos e rosto cansado sentado na poltrona à frente e uma moça que parecia ser namorada do rapaz que lhe respondera sorridente. Eles conversavam coisas sem sentido e falavam de pessoas cujos nomes não evocavam nada, nem cheiros, nem sabores, nem sensações de tipo algum.
Sonhos são quase sempre assim, enevoados e repletos de imagens incompletas e de sensações confusas e imprecisas mesclando-se em um turbilhão de pensamentos que mesmo desconexos se chocam e se aglutinam uns aos outros formando o roteiro da realidade subconsciente que é criada durante o sono. Mas Juca não dormia, mas certamente acordara de pouco e as sensações do sono ainda estavam arraigadas em sua mente e teimavam em deixá-la assim como uma graxa que teima em deixar as mãos mesmo com muito sabão. Devia ser isso, certamente, e o sabão da realidade não tardaria em limpar o sonho em alguns instantes. Melhor então seria entreter-se com o ambiente e assim ajudar o sabão à agir, observação era sem dúvida a água da realidade.
Havia um quadro sobre a poltrona da frente em que diante de uma paisagem bucólica caminhavam homens e trajes rurais com suas ferramentas de trabalho. As poltronas eram de uma napa marrom e já estava rasgada em alguns lugares. Sobre um móvel irregular e com duas portinhas de vidro, alguns buracos quadrados estratégicos havia uma TV colorida pequena que estava desligada e alguns enfeites de louça. E claro também havia seu ventilador. Onde estaria? Visitando alguém? Era improvável pois lá estava seu ventilador. Sua mente trabalhava.
__Cadê o Dedeco? - perguntou finalmente ao moço sorridente.
As pessoas se entreolharam e após algum silencio se ouviu uma voz.
__Dedeco é o primo dela – disse o senhor de cabelos brancos.
Ela sabia perfeitamente que Dedeco era seu primo, e o que tinha aquele senhor com isso? Ficou com uma raiva daquele velho por ficar se entrometendo na sua conversa.
__Vocês não o conheceram. Ele morreu ainda jovem. - disse novamente o velho.
__Ah tá, o tio Dedeco. Me lembro de ouvir vocês falando dele. - disse o moço, e continuou – não quer que pegue um café mamãe.
__Não. Mas eu estou com sede, se puder trazer uma água meu filho.
E Juca viu Marcos se levantar. Sim, seu filho, sua casa, seus dedos enrugados, suas mãos cansadas. A menina Juca com seus cabelos brancos e corpo fadigado sorriu pela primeira vez no dia. Um sorriso triste mas simbólico. Feliz por estar com sua família reunida. Seu filho, sua nora, seu velho companheiro e seu ventilador com suas hélices que giram azuis como sua mente.
terça-feira, 12 de maio de 2009
O corredor
A cada passo que dava deixava para trás não só as paredes do corredor, mas também pouco a pouco, como se feitas delas fossem, as lembranças dos momentos que as antecediam. Agora sentia paz e esperança e não pensava em nada. Seu caminhar era automático e seus olhos vislumbravam o poder hipnótico exercido pelas paisagens infinitas e repetitivas. Não havia som, nem silencio.
Foi quando o mundo se fez presente com sua temperatura gélida, seus desagradáveis ruídos e um gosto amargo na garganta seca como também eram os lábios vedados e queimados pelo frio. A pressão de um bocejar fez-se subitamente em seu pálato, mas sua boca permaneceu cerrada ao contrario de seus olhos que forçaram-se à abrir pela primeira vez em 8 meses.