Aos perdidos no deserto.

Olá prezado navegante, o que o fez cair aqui neste ambiente árido e sem vida (quase nenhuma)? Este lugar não é pra você. Não estou querendo expulsá-lo, porém! Fique à vontade.

Deixe-me contar - já que está por aqui - o motivo da criação deste ponto no meio do nada de um mar de IPs e máscaras de sub-rede. Mas antes, acho que posso mencionar que este blog já teve alguns nomes: fl4v10, tremdeler, poráguabaixo e outros de que eu não me lembro. Porém acho o atual nome mais adequado já que não possuo seguidores e apenas eventualmente recebo a visita de algum incauto redirecionado por motivo que foge a minha compreensão. Entrou em uma trilha e se perdeu?

Volto à razão da criação do blog, se o senhor ou senhora ainda estiver aí, que reverbera vazios verbos - e artigos, e adjetivos, etc - ao vento arenoso dos bytes. Certamente, se o ilustre visitante escreve e se goza de relativa autocrítica e cuja vaidade não interfere excessiva, deve já ter jogado fora alguns de seus escritos. O problema disto é que se perde alguma coisa boa dentre as tantas coisas ruins. Perde-se também um pouco da própria história literária (ainda que questionável ou incipiente). Como vamos perceber que evoluímos se separamos só um pequeno texto que ficou bom? Neste sentido criei um depósito de meus escritos. Confesso que a intenção era também me forçar a escrever já que poderia - algo que não se concretizou - ter eco em algum leitor que seguisse este espaço.

Assim, sem mais, o espaço existe. E existe só para mim (na maioria do tempo). Caso queira sinalizar na areia um traço de presença humana, fique a vontade para deixar um recado após o sinal!! E obrigado pela visita!

BEEP.

sábado, 14 de julho de 2012

Entrevista

Passou os olhos sobre mim e antes que eu dissesse uma só palavra disse de forma tranquila e firme: você não serve.

Foi desagradável como um alimento indigesto engolido à seco. Me senti nu diante da recepção fria, arrogante e indiferente – porém antipaticamente educada – daquela entidade. Ainda esperou que eu começasse a esboçar algum 'm mas...' para ter o prazer de me cortar a fala. Olhou-me nos olhos, tinha um olhar cortante, um sorriso nojento de quem faz questão de mostrar que te considera lixo, os cabelos cuidadosamente cortados e penteados, nenhum vestígio de barba e vestido impecavelmente como um executivo. Completamente diferente de mim ou de como eu o imaginava antes de entrar naquela maldita sala. Podia agora concordar com o ditado que dizia que o diabo não é tão feio como pintam, mas o arrepio de estar diante dele era quase ensandecedor.

__Vou me dar o trabalho de explicar antes que comece com seu 'bla bla bla' e comece a me entediar. Você certamente achou que ia me impressionar com esses cabelos longos, essa blusa preta com a estampa de uma freira se masturbando com um crucifixo e esses spikes no pulso. Sei que isso pode ser um duro golpe pra você que provavelmente passou a vida inteira achando que era meu servo, o próprio “o adorador do diabo” que baboseira. Você é idealista e seu visual só demonstra que quer afastar os mauricinhos e construir algo por si mesmo sem precisar se enquadrar no que chama de “sistema”. Isso não me interessa meu jovem. Preciso é de alguém que saiba dissimular, fingir, tirar proveito da esperança alheia, usar o corpo, usar os sentimentos alheios, o sofrimento alheio, tudo em proveito próprio e em meu proveito, quero alguém popular, bem vestido e com palavras bonitas nos lábios para cativar as minhas ovelhas. Porque eu sou o lobo mau e você apenas uma ovelha desgarrada e que não pertence ao meu rebanho.

Quando saí daquela sala que devia cheirar à enxofre mas na verdade tinha um agradável perfume tão sutil que ainda não consigo identificar estava mais perdido do que quando entrei pois fui recusado pelo inferno e não há nada que me atraia no reino dos céus.